As Luas da Gata Tata
Pode ser uma praia de águas turquesas peixes coloridos e luares românticos ou uma praia rochosa com altas escarpas, água cor de chumbo e céus rasgados pelos ventos e pelos raios..... Se vieres na positiva (triste/alegre) entra!
A Raposa, a Rosa e o Cativar

Não querendo de modo algum comparar, estou quase como Saint-Exupéry quando escreveu o Principezinho.
Dizem que as raposas são matreiras, existem cem histórias, mas só ele se lembrou de "pegar" num animal selvagem, desconfiado, pouco sociável, arredio e que nunca confia totalmente em nada nem em ninguém, para nos dar uma das maiores lições da Vida.
A nossa incapacidade de nos enquadrarmos no amor e até na vida (pois o amor faz parte da vida segundo dizem) mas o ficar só por um motivo qualquer como a dúvida, o medo, a tremenda insegurança é o que nos faz "desaparecer" daquilo a que chamamos Terra e nos perdermos num astro qualquer ou um planeta para reflectir olhar para trás e tentar ver que tipo de rasto deixamos, bom, mau, misto, ou confuso, pessoalmente prefiro a Lua, pois tal como eu tem fases e provoca várias pequenas ou grandes alterações/confusões pelo seu caminho, a rosa que tão bem tratámos ou pelo menos pensamos que é o que fazemos e correctamente, essa é sempre um pouco efémera, delicada mas com espinhos e para mim imprevisível pois pode desfazer-se das pétalas até ficar totalmente exposta ou ficar em botão que nunca vai abrir e nunca ninguém vai conhecer, esse amor é sempre uma dúvida e que dúvida, será que realmente merece a pena? Sinceramente não sei!
A raposa é a dúvida, o acreditar na lealdade, ou não, o deixar-me cativar sim, tal como ela o deixar-me cativar é-me extremamente importante e difícil, pois significa confiar plenamente em alguém, colocar o meu coração nas mãos de alguém que não pertence à minha Vida, deixar entrar um sentimento que tem tanto de bom como de mau e principalmente provoca a dúvida quase sempre, será ou não será, verdade ou mentira, sentimento ou brincadeira, deixar-mo-nos ir ou não... Sempre fui pelo não pois nunca quis sentir-me "cativa" "indefesa" isso representava mil e outros sentimentos que em mim são contraditórios, pois a Vida assim mo demonstrou ao logo dos anos e logo bem pequenina eu já tinha a minha Raposa a Rosa e até a Lua.
Na Lua, lugar onde me refugio muitas vezes, umas como "Luar" outras nem sei mas, é para lá que fujo pois a raposa embora tivesse razão a Vida não é assim; é bem diferente, bem mais fria, dura, marca com ferro na Alma e no coração tudo o que nos acontece, não é aquele colo fofinho que alguns de nós tivemos em criança e no qual temos a maior confiança e certeza que está sempre lá que não nos vai deixar cair...
Ele escreveu sobre o que sentia e um dia, meteu-se na coisa que mais amava, pos-se a caminho ia em missão, voou e desapareceu na noite como na história, estará algures num planeta ainda observando e tentando aprender ou apenas se esfumou no ar, eu prefiro acreditar que foi no ar e estava Luar, eu estava lá para ele me tentar ensinar uma coisa que no final continuo sem saber, pois deixei-me cativar pela primeira vez na vida, mas tal como a rosa, esse sentimento, desfez-se, magou-me, feriu-me, não foi a primeira vez que fui ferida na Vida, mas daquela forma foi e o que os outros pensam sempre pouco ou nada me importou (tenho pena deles, pois sao apenas isso, Seres Humanos normais, sem mistérios, sonhos inimagináveis, que não sabem voar) e neste caso muito menos pois eu estava consciente do risco que corria, (os outros não, não estavam confiantes em nada nem em mim e na minha "sensatez" e principalmente falta de burrice ou "estupidez") confiar entregar-mo-nos completamente
a alguém (é realmente maravilhoso, misterioso mas dá um frio na barriga) é sempre um risco, mas pelo que aprendi, todos o corremos nem que seja uma vez na Vida, uns desabrocham e tornam-se lindas rosas ou murcham ou pior o botão nunca abre totalmente!
E agora depois da minha viagem já posso voltar e ver o que acontece, será que um dia ao voar vou desaparecer ao Luar?! Talvez sim, talvez não, talvez eu volte a confiar e a fazer novamente como a raposa, talvez nada e continue a ser como sempre fui, a acreditar em fadas, seres alados variados, unicórnios, seguir o son de uma flauta de Pan tocada por um Fauno, malandro como só ele, a mergulhar no meu mar e ser sereia por umas horas, tudo é possível para mim pois além de ser como sou, acredito e vivo a Vida com verdade, sem mentiras, talvez esteja aí o problema, nao cresci, não perdi os meus sonhos mas se os perco o que me vai acontecer? Não sei, por isso prefiro continuar a ser eu, não mudar nada...
E tal como disse a noite, o Luar inspira e cá vai mais um bocadinho de mim, o abrir a Alma e o coração a todos os que lerem (tiverem tempo, curiosidade e pachorra) problemas não tenho pois viro costas e sigo o meu caminho de consciência tranquila e bem mais leve, eu e a minha "raposa" o meu gato que é especial, igual a mim e apareceu na altura certa da minha Vida!
Luar ou Batata (pois aqui, de Marisa, não tenho nada) em mais uma madrugada sem sono...
9/9/24
